
Um rodopio no estômago convoca-me um carrossel no olhar , luzes cintilantes e, depois , percebo que estou apenas nervosa com o rumo das coisas . Não tens bússola e eu não sou o teu Norte. Juntos perdemos as coordenadas , afastados também nunca as tivemos .
Rodopio em silêncio em cada som vocal que tenciono soltar , mas aprisiono .
Um rodopio de Outono , da folha que caiu e com a qual nunca mais ninguém se importou . É assim com as folhas , é assim com as pessoas , maioritariamente .
Rodopio enlaçada nas escadas da vida, penso ' Não seria mais fácil usar o elevador?' . A resposta surge : ' Tudo o que é rápido demais não tem o mesmo fervor , a mesma garra ' . Então , prefiro as escadas mesmo que as suba de gatas. Não é fraqueza , é contornar o problema : subindo da forma mais conveniente que me aprouver.
Um rodopio de culpas , de desculpas , de mal entendidos que se entendem bem mas não se admitem . Somos assim , pelos rodopios nossos e pelos dos outros . Fazem-nos andar à roda em sua roda , quando , apenas, o que sabemos fazer é andar em linha recta.
Rodopio sempre em passos de bailarina , como se nas cordas da vida fosse tocada a minha música. E com ela subo as escadas de gatas , quando um rodopio não chega.
Um rodopio , só e apenas , é suficiente para me deixar no vão da escadaria , com uma mão a segurar as cordas partidas do dedilhar erróneo da música que não pertence ao singular , mas a um plural que não me agrada