Vais embora! Deixas-me aqui. Outrora achei que já havias ido entre um acordar e o outro. Nunca cheguei a perceber-te e agora esse tempo foi-me roubado. Sabia que esta hora chegaria, mas no fundo nunca estive preparada. Dentro de horas é a última vez que, talvez, te veja ... Pelo menos com os mesmos olhos e com todo o coração. Magoaste-me muito e eu deixei , talvez me tenha eu magoado, pois quando alguém se torna importante fere-nos de forma mais forte. Às vezes penso que me dás a mão e não me largas mais. Outras acho-te a pior pessoa. Não és! És das melhores pessoas que comecei a conhecer, mas que não me deixaste acabar. Sei que precisas deste jornada, pois aqui não havia mais nada para ti, já não existia um "tu". Tu precisas disto e eu preciso de ti. Deixo, agora, o egoísmo de lado e deixo-te ir. Tu vais, eu fico, mas em parte sempre irei contigo. Ganhaste parte de mim. Enraízaste-te em mim. Mais uma vez digo, és um príncipe, sempre o serás desde que o saibas ser. Por agora, esqueceste-te de como sê-lo ou então aderiste ao modernismo. Antiquado ou moderno, tu és o que és. O que aparentas ser nunca serás. As aparências mentem. Tu tens coração só não estás habituado a usá-lo. E o coração é como uma língua não materna, se não o usas com frequência , se não o deixas falar ele desaprende como se fala. No entanto, para a linguagem do coração não há cursos, não há países. Há uma única verdade, uma única língua: a que cada um de nós, individualmente, entende, traduz e descodifica. Fala a tua língua, permite-te isso e assim estarei sempre a falar-te, bem junto de ti. Ouvirás a minha voz bem dentro de ti, emanada do teu coração , onde guardarás , de uma forma ou de outra, todos os que te são queridos.
Até à próxima, adeus digo ao que não quero mais para mim e a ti quero-te sempre. Aliás, até às muitas próximas e boa jornada !

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