
30/Jul/2009 18:21
Se há coisa na vida mais cruel que a dor de perder alguém querido é a sua ingratidão . Há uma panóplia de erros e situações que têm o meu total perdão , mas a ingratidão ? Não há espaço no meu sótão de perdão , lamento .
E lamento que tudo seja levado pelo vento numa bola de sabão , que uma criança vê em tons de arco-íris para depois , com um unico gesto a fazer desaparecer por entre as mãos . Enquanto voa , traz liberdade , arranca sorrisos , gritos de entusiasmo , quando rebenta deixa a questão 'para onde é que ela foi ?' , sim ! para onde é que ela foi ? Não a vejo , mas já a senti , ag não a sinto mas tenho-a aqui .
Se eu pudesse guardava cada pedacinho de vida , cada pedacinho de companheirismo, de amizade dentro de uma bola de sabão. Não para ficar contente ao vê-la , mas para que alguma criança a apanhasse e junto c ela desapareceriam todos os pedacinhos .
Tudo podia ser levado pela água da chuva , escorrer do corpo e embrenhar-se pelo chão. Tirar um peso e sentir a leveza da gota fresca e redonda enquanto tudo vai para longe , onde o oxigénio não gera a sua combustão (ir por água a baixo).
Tudo devia ser levado nas asas de uma qualquer ave e migrar para um lugar tão longínquo que nem a saudade o pudesse alcançar.
Que ilusão , mera fantasia , porque o qe almejo não é um conto de fadas , mas é uma história de encantar, um encanto perdido em qualquer canto poeirento, em qualquer ponte que desabou .
Tudo fica e tudo traz , traz o frio em extremo e a dor para exterminação
Às vezes não é a vida qe é ingrata , às vezes mais ingrata que a vida é a nossa crença em que nunca ninguém será capaz de desvalorizar o que fazemos , o que perdemos por acreditar em algo que se mostra despido de valor . Um valor inadequado , um valor cego , um valor mal direccionado e equivocado . Por isso , não darei mais valor , não darei mais nenhuma ' mãozinha' para que depois receba uma outra mão , outrora julgada cheia , mas agora totalmente vazia ! Não darei nada , nem um suspiro porque o som é para quem está vivo e os 'falecidos' não ouvem barulho .
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