
As portas encerram-se no meu mundo, as janelas reflectem a dor das correntes que me aprisionam .
Procuro escapar por um local esquecido , um local que não faça mais de mim uma prisioneira , que me deixe acreditar qe possuo asas ! No entanto , estou rodeada por quatro paredes sólidas intransponíveis .
Amarrada a mim mesma , num espaço e tempo minuciosamente escolhidos para que as minhas lágrimas se possam libertar, envolvo-me numa hélice de contradições , quereres e desejos ocultos que se elevam da ponta dos meu dedos , sem que eu os consiga agarrar . Consigo senti los fluir de mim para o exterior , para o vazio que não pertence a ninguém e que ao mesmo tempo a todos pertence . , mas não consigo ter tempo para os viver , para aproveitar . Faço uma análise e vejo me a mim como se de mim não se tratasse , está escuro e , o desânimo flameja por todos os poros.
Sinto-me estrangular , fui estrangulada de repente , por um par de mãos invisíveis e não ofereço resistência. Estou à beira de desistir de tudo , de perceber que já não vale a pena continuar por estes caminhos errantes ...fecho os olhos e morro . Pestanejo e o meu coração ainda pulsa , então sinto o ar quente da tua passagem , a minha mão gélida, mas aconchegada . Sinto o teu olhar que me trespassa como se eu fosse feita de um sopro de quimeras, a tua essência , a tua presença , aceleram-me e eu esqueço , esqueço por que choro , e por que razão outrora não quis mais continuar . Esqueço por que tantos anos permaneci presa , girando em torno do mesmo centro gravitacional como uma cão preso na sua casota , tão artificialmente elaborada pela mão humana. Contudo , nem tudo é esquecimento e , é então que me lembro qe és um começo e qe em primeira estância não passaste do fim necessitado . Hoje não és o fim , mas necessito de ti . Sou livre mas permaneço por libertar.
Por vezes, perceptível ou não, existe o facto de estarmos presos a um passado...um passado que nos pertence ou que julga que lhe pertencemos, prendendo-nos por essa mesma razão, impedindo-nos de esquecer aquilo que deve ser esquecido e relembrar o que vale a pena ser relembrado...por muito que o passado nos atormente, devemos permitir tal apenas enquanto for suportável, enquanto precisarmos de ser atormentados...a partir daí, devemos quebrar as correntes e seguir em frente, tendo presente que aquilo que vivemos somente nos deve ajudar, não toldar a visão e forma como encaramos a vida
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